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Quais os fatores de risco do Alzheimer?

Veja alguns fatores de risco do Alzheimer e possíveis cuidados que podem ter adotados.
Entenda quais são os fatores de risco do Alzheimer e possíveis cuidados.


As causas da doença de Alzheimer ainda não foram completamente identificadas pelos pesquisadores. Porém, as evidências mostram que uma combinação de fatores tem importante papel no desenvolvimento desse tipo de demência.

A boa notícia é que muitos dos fatores de risco do Alzheimer podem ser gerenciados. Ou seja, podemos agir, de forma preventiva, excluindo a possibilidade de que esses fatores façam parte de nossa história de vida — e, por consequência, acabem comprometendo nossa saúde.

Infelizmente, existem também alguns fatores que não podemos eliminar. Herança genética e idade avançada, por exemplo.

Mas, considerando que a causa do mal de Alzheimer tende a ser multifatorial, você pode reduzir as probabilidades de desenvolver a doença ao lidar com os fatores de risco que estão ao seu alcance administrar.

Na lista abaixo, descrevemos 13 fatores de risco do Alzheimer — e possíveis cuidados que você pode adotar para evitá-los.


1. Baixo grau de instrução escolar

A baixa escolaridade é considerada um dos principais fatores de risco do Alzheimer. Segundo pesquisas, essa relação ocorre porque os desafios da aprendizagem (que requerem habilidades cognitivas como memória, atenção, raciocínio e capacidade de solucionar problemas) “exercitam” nosso cérebro. Logo, quando a instrução escolar é muito baixa, também é baixa a estimulação cognitiva.

Hoje, sabe-se que é sempre importante manter o cérebro ativo, independente da idade. Contudo, a escolaridade e alto estímulo intelectual nas primeiras décadas de vida se mostram ainda mais relevantes para prevenir os sintomas de Alzheimer.

Portanto, o ideal é que, ao longo de toda a vida, a pessoa se exponha a diferentes formas de atividades intelectuais desafiadoras. Assim, poderá garantir contínua estimulação cognitiva, favorecendo a saúde do cérebro a longo prazo.

Depressão é um fator de risco do Alzheimer.
Estima-se que pessoas diagnosticadas com Alzheimer também podem sofrer de depressão.


2. Perda auditiva

Existem algumas hipóteses que justificam o impacto da perda auditiva como fator de risco para Alzheimer e outras demências.

O primeiro ponto é que, ao ter dificuldade para ouvir, a pessoa passa a empreender um grande esforço para captar os sons, as vozes para, então, interpretá-los. Essa alteração faz com que o cérebro passe a funcionar de um modo diferente do normal, gerando esgotamento mental. E, como o cérebro precisa destinar tanto esforço para a audição, a energia para desempenhar outras funções (como memória e atenção) fica comprometida.

O segundo ponto diz respeito ao reflexo da perda auditiva na vida social do indivíduo. É comum que a dificuldade leve a pessoa a se isolar, cada vez mais, perdendo o interesse de interagir e participar de conversas. Isso ocasiona uma perda da estimulação cognitiva (que, no tópico anterior, já demonstramos ser um inimigo da saúde do cérebro).

Solidão e isolamento social, por sua vez, podem conduzir à depressão — outro aspecto bastante relacionado ao Alzheimer, como veremos a seguir.

Como prevenir esse problema?

Usar proteção de ouvidos, em situações de exposição a sons de alta intensidade (em determinadas situações de trabalho, por exemplo) é uma recomendação essencial para evitar danos.

Porém, as causas da perda auditiva são diversas — e nem sempre ela pode ser evitada.

Sendo assim, o uso de aparelhos auditivos surge como solução.

Especialistas alertam que não deve se protelar a busca por diagnóstico e tratamento da perda auditiva — a demora pode comprometer, significativamente, a saúde do paciente.


3. Depressão

Estima-se que entre 40% e 50% das pessoas diagnosticadas com a doença de Alzheimer também sofram de depressão.

Há dúvidas se a depressão é um sintoma da demência, um fator de risco ou ambos.

Contudo, a relação entre as duas condições de saúde é evidente.

Vale lembrar que a depressão é um transtorno mental para o qual existe tratamento efetivo.

Psiquiatras, psicólogos e médicos geriatras (especialmente no caso de depressão na terceira idade) são profissionais indicados para ajudar tanto no diagnóstico quanto na forma de tratar o problema.

Atividades podem favorecer o cérebro, mantendo-o ativo.
Atividades desafiadoras poderá garantir contínua estimulação cognitiva, favorecendo a saúde do cérebro a longo prazo.


4. Traumatismo cranioencefálico (TCE)

O traumatismo cranioencefálico é uma lesão que afeta o funcionamento do cérebro. Suas causas estão associadas a situações que ocasionam violentos golpes na cabeça — tais como acidentes de carro, quedas e prática de esportes (boxe e hóquei, por exemplo).

Ao praticar esportes que envolvam algum risco de impacto ou queda — ciclismo, skate e esqui são modalidades que podemos acrescentar à lista — é preciso se proteger de forma adequada.

Além disso, toda precaução que envolve o comportamento no trânsito e formas de tornar o ambiente doméstico seguro (evitando riscos de queda) devem ser ressaltados como meios de prevenir acidentes.


5. Consumo excessivo de álcool

Um estudo francês, publicado na revista The Lancet Public Health, demonstrou que o abuso de bebidas alcoólicas aumenta em até 3 vezes o risco de Alzheimer e outras demências.

Isso não significa que as pessoas precisem se abster, totalmente, de bebidas alcoólicas. Em geral, basta buscar moderação no consumo.


6. Hipertensão

A pressão alta é outro dos fatores de risco do Alzheimer, identificado em pesquisas.

Sabe-se que a hipertensão pode ser um “vilão silencioso” (uma vez que é comum não manifestar sintomas evidentes). Logo, é essencial realizar exames médicos periódicos para medi-la e mantê-la sob controle (o ideal é que esteja em torno de 120 x 80 mmHg).


7. Tabagismo

Segundo dados disponibilizados pela OMS (Organização Mundial da Saúde), 14% dos casos de Alzheimer em todo o mundo podem ser atribuídos ao tabagismo.

Se você fuma, considere, seriamente, abandonar o vício. A interrupção é benéfica em qualquer idade.


8. Poluição atmosférica

A exposição à poluição do ar é um fator de risco do Alzheimer porque, de acordo com estudos, pode acelerar a degeneração do sistema nervoso.

Sugestão? Sempre que possível, evite se expor a locais de tráfego intenso e instalações poluentes (como usinas de geração de energia e petroquímicas).

A genética é um possível fator de risco do alzheimer
Quando o Alzheimer ocorre em parentes próximos, a pessoa está mais propensa a desenvolver a doença.


9. Obesidade

A obesidade como fator de risco para o desenvolvimento do Alzheimer foi investigada em diversos estudos — dentre os quais podemos mencionar “Patterns of regional cerebral blood flow as a function of obesity in adults” (Padrões de fluxo sanguíneo cerebral regional em função da obesidade em adultos), conduzido por pesquisadores da Universidade John Hopkins.

De acordo com os pesquisadores, a obesidade pode reduzir o fluxo sanguíneo no cérebro, ocasionando perdas cognitivas.

Se você tem dúvidas sobre sua alimentação ou peso ideal, converse com seu médico para obter orientações.


10. Estilo de vida sedentário

Segundo estudo da Universidade McMaster (Canadá), sedentarismo e condições genéticas são fatores de risco do Alzheimer que praticamente se equivalem.

Ou seja, se a genética está a seu favor, mas você não se exercita regularmente, está tão vulnerável aos sintomas de demência quanto aqueles que apresentam alterações genéticas desfavoráveis.

Por outro lado, pessoas que inserem atividades físicas em seu dia a dia obtêm uma série de benefícios à saúde física e mental — incluindo a proteção e manutenção da memória.

Contudo, se você está sedentário há muito tempo, vá com calma! Nada de tentar “recuperar o tempo perdido” exagerando na intensidade, tempo e frequência de exercícios. Antes de iniciar qualquer atividade, é sempre aconselhável contar com o parecer de seu médico.


11. Diabetes

Conforme informações do Portal PEBMED (portal de notícias e atualizações em medicina do Brasil), algum grau de glicemia elevada ou diabetes tipo 2 são encontrados em até 80% de pacientes com Alzheimer.

Mudanças no estilo de vida (incluindo dieta saudável e prática de exercícios físicos) são importantes tanto na prevenção quanto no controle da diabetes.

Investir na prevenção é garantir um processo de envelhecimento saudável.
Fazer atividades físicas, controlar o peso, ter uma dieta equilibrada, entre outros é investir na prevenção.


12. Genética e histórico familiar

Chegamos, agora, a um dos fatores de risco do Alzheimer que não podemos eliminar.

Sejam por razões genéticas ou ambientais (ou ambas), quando a doença de Alzheimer ocorre em parentes próximos, a pessoa está mais propensa a desenvolver a demência também.

Especialmente em casos de Alzheimer precoce (quando a doença apresenta os primeiros sintomas antes dos 65 anos de idade, em torno da 4a ou 5a década de vida) a genética parece ter influência determinante.

Contudo, apesar de ser um fator de risco, é importante ressaltar que o histórico familiar não implica, necessariamente, na manifestação da doença. Muitas pessoas com familiares que têm Alzheimer não apresentarão os sintomas da demência. E outras, sem qualquer indício de hereditariedade, podem desenvolvê-la.


13. Idade

Por fim, vamos falar do fator de risco de Alzheimer mais conhecido: a idade.

Isso não significa que o mal de Alzheimer seja algo inevitável e faça parte do envelhecimento normal.

Como vimos, são vários os fatores de risco do Alzheimer (e outras demências). O que os pesquisadores sugerem é que, após os 65 anos, a combinação desses fatores, somados a idade, aumenta a probabilidade de manifestação da doença.

Sendo assim, como ainda não dispomos da cura para Alzheimer, o ideal é investir na prevenção (com atividades físicas, controle do peso e pressão arterial, dieta equilibrada, estimulação cognitiva contínua), a fim de garantir um processo de envelhecimento saudável.


Dra. Priscila Henriques Pisoli
Médica Geriatra | CRM 145368 | RQE 84315

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